Europeias 2019 - Abstenção de marketing
31 mai 2019

Europeias 2019 - Abstenção de marketing

Estava a pensar em quem ia votar e percebi que não sabia absolutamente nada sobre os candidatos para as europeias 2019. Nem o que propõem, os seus valores ou a sua história. Quem são estas pessoas?

Seria muito facilitista apontar o dedo a mim próprio e dizer que a culpa é toda minha porque não fiz um esforço para me aproximar deles. Não acho que seja apenas culpa minha. Há uma transação a ter lugar. Ainda que o interesse superior em votar seja do cidadão, os candidatos, em concorrrência uns com os outros disputam o meu voto. 

Comecei a pensar então nos candidatos como produtos concorrentes numa prateleira de supermecado. O que é que está a acontecer para que eu olhe para os produtos e não faça ideia o que escolher porque não sei nada sobre eles?

 

Como criar uma ligação entre o partido e o público?

O Seth Godin, um grande pensador do marketing, diz que as pedras basilares da economia moderna são a confiança e a atenção. 

Uma marca precisa da minha atenção - que eu esteja a olhar para ela ou a ouvi-la - para me transmitir alguma mensagem. Depois precisa da minha confiança para me levar à compra. Isto é, especialmente interessante num perído eleitoral. Porque os candidatos, de acordo com a lei, só podem afixar propaganda e fazer publicidade comercial em alguns dias que antecedem às eleições, o período oficial de campanha. E, durante esses dias, estão todos a lutar pela nossa atenção, aos gritos uns por cima dos outros, a tentar ganhar a nossa confiança.

Muitas vezes através de iniciativas bizarras como ir a uma escola mandar beijinhos às ciranças, tocar bateria ou distribuir canetas na rua. Uma espécia de versão adulta das coisas loucas que os youtubers fazem para se destacarem uns dos outros e terem visualizações. Isto tudo aliado a que, numa campanha, toda a gente sabe que há uma expectativa de uma transação no fim. Por isso é como estar a ouvir um vendedor que sabemos que vai dizer tudo para nos impingir o produto dele. 

A confiança não se cria em poucos dias. Mas porquê restringirem-se ao período de campanha? 

Há outra coisa que podem no resto do tempo: criar a vossa marca. Exatamente aquilo que o nosso Presidente Marcelo fez. Durante 8 anos esteve na televisão todas as semanas. Tinha e criou atenção à sua volta. Todas as semanas deu a sua opinião sobre vários assuntos. Muita gente, ao saber da visão dele sobre esses assuntos, ganhou confiança nele.

No momento em que o Marcelo Rebelo de Sousa se candidatou, a campanha eleitorial foi uma mera formalidade. Só teve de dizer "estou aqui". E as pessoas que iam a passar na fila do supermecado viram um produto que reconheciam e no qual confiavam. Compraram. 

 

Plano de Marketing Político

Como é que um cadidato pode fazer isto? Na minha opinião é jogar o jogo a longo prazo e criar um plano de Marketing. Um plano de marketing define onde é que uma empresa está, para onde quer ir e o que vai fazer no entretanto para lá chegar.

O que é que acham mais eficaz: alguém que antes de uma eleição diz que o ambiente é uma preocupação enorme ou alguém que esteve um ano inteiro a participar em iniciativas ambientais?

Como é que eu quero que a minha marca seja percepcionada pelos outros e o que é eu vou fazer para criar essa percepção? Graças à fome voraz dos media por novos conteúdos que alimentem a máquina, possivelmente, conseguirão exposição mediática para essas ações. Se não, graças à internet, podem criar vocês mesmos essa exposição. E, quando chegar a campanha, não vão precisar de esgravatar com todos os outros pela minha atenção e confiança. Porque, pouco a pouco, ao longo de 4, 8 ou 12 anos já o fizeram. 

 

Francisco Baptista | Linkedin

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